93% da nossa vida passa-se dentro de quatro paredes

Se alguém te disser que passamos a maior parte da vida em espaços fechados, não está a exagerar. Está a citar factos.

Existe um estudo chamado National Human Activity Pattern Survey (NHAPS), conduzido nos Estados Unidos com cerca de 9.000 pessoas. É, até hoje, uma das principais referências científicas sobre como distribuímos o nosso tempo ao longo do dia.

A metodologia foi simples: os participantes registaram tudo o que fizeram durante 24 horas. Onde estavam, em que ambiente, durante quanto tempo.

Os resultados não deixam margem para dúvidas

Em média, passamos cerca de 87% do tempo dentro de edifícios — casa, trabalho, lojas, ginásio. A isso somam-se cerca de 5 a 6% dentro de veículos. O que sobra para o exterior é apenas 7%.

No total, aproximadamente 93% da nossa vida decorre em ambientes fechados ou construídos.

Não é uma estimativa. São dados reais, recolhidos de forma sistemática

O estudo foi realizado no final dos anos 90, o que levanta uma pergunta legítima: será que os números mudaram? A resposta, com base na evidência disponível, é que não melhoraram. Estudos posteriores, como os conduzidos pela EPA e o projecto europeu EXPOLIS, confirmam padrões semelhantes. Com a era digital e o crescimento do teletrabalho, a tendência parece ser de estabilização ou mesmo aumento do tempo passado em interiores.

E o padrão que os dados revelam é difícil de ignorar. Mesmo quando "saímos", continuamos dentro. Entramos no carro, vamos para um edifício, passamos o dia num espaço fechado, voltamos de carro, regressamos a casa. O exterior tornou-se um intervalo, não um ambiente.

Durante a maior parte da história humana, foi o oposto. O ambiente natural era o contexto dominante. Hoje, o ambiente construído ocupa quase todo o nosso tempo.

Os estudos não tiram conclusões dramáticas sobre isso. Limitam-se a mostrar a realidade com números

Mas essa realidade levanta uma pergunta direta: se passamos mais de 90% da vida em espaços artificiais, de que forma isso afeta a maneira como nos sentimos, pensamos e funcionamos?

O contacto com o exterior deixou de ser a norma. Passou a ser a excepção.

E isso, por si só, já diz muito sobre como vivemos hoje.

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