Água da Torneira, Filtros Domésticos e Água Engarrafada: O Que Faz Mais Sentido?

Em Portugal, a água da torneira é segura e regulada, cumprindo rigorosos critérios microbiológicos. É tratada e monitorizada regularmente, mas isso não significa que seja quimicamente “neutra”. Há sempre espaço para reduzir a exposição a certos compostos ao longo do tempo.

Este artigo explica, de forma clara, o que a ciência mostra sobre beber água da torneira, usar filtros domésticos de água e como estas opções se comparam com a água engarrafada.

Água da torneira: segura, mas com alguns compostos de atenção

A desinfeção com cloro é essencial para eliminar microrganismos, mas pode gerar subprodutos da desinfeção (DBPs), como trihalometanos e ácidos haloacéticos.

Meta-análises e revisões científicas mostram que a exposição crónica a estes compostos está associada a:

  • aumento do risco de cancro da bexiga,

  • possíveis efeitos reprodutivos.

Medições em sangue humano confirmam que estes compostos entram no organismo através da ingestão de água da torneira, e outros estudos mostram que banhos e inalação também contribuem para a exposição. O risco individual é baixo, mas acumulativo ao longo da vida.

Filtros domésticos de água: benefícios e limites

Filtros domésticos, como jarros com filtro ou sistemas sob a pia, usam principalmente carvão ativado, por vezes combinado com resinas de troca iónica. Podem:

  • reduzir quase totalmente o cloro,

  • diminuir chumbo (incluindo nanopartículas),

  • reduzir parte de PFAS, pesticidas e outros contaminantes emergentes,

  • melhorar sabor e cheiro da água.

Limitações e cuidados

  • Eficácia variável entre modelos, especialmente para PFAS de cadeia curta.

  • Não removem todos os contaminantes.

  • Podem reduzir parcialmente minerais como cálcio e magnésio, mas não desmineralizam totalmente.

  • Não removem completamente o flúor, mas em Portugal isso raramente é uma preocupação de saúde pública, já que não é adicionado artificialmente na maioria das regiões.

  • Manutenção rigorosa é crucial: filtros saturados podem libertar contaminantes acumulados ou permitir proliferação bacteriana. Trocar os cartuchos dentro do prazo recomendado é essencial.

Quando os filtros são ainda mais úteis

  • Canalizações antigas: embora a água saia da central em boas condições, tubagens de ferro ou chumbo em prédios antigos podem contaminar a água. Nestes casos, os filtros domésticos oferecem proteção adicional.

Microplásticos e água engarrafada

Estudos mostram que a água engarrafada em plástico contém, em média, mais microplásticos do que a água da torneira e pode incluir plastificantes como ftalatos.

Filtrar a água da torneira reduz parcialmente microplásticos e evita químicos do plástico, tornando-a geralmente mais segura, económica e ambientalmente responsável do que a água engarrafada.

Métodos de filtragem mais eficazes

Para quem procura redução máxima de contaminantes, existem alternativas mais avançadas:

  • Osmose inversa: remove PFAS, nitratos, metais e outros contaminantes; exige remineralização e gera desperdício de água.

  • Filtros de carvão ativado sob a pia: contacto prolongado, maior capacidade e maior consistência do que jarros; eficazes contra cloro e DBPs.

  • Filtros certificados (NSF/ANSI): garantem desempenho testado para contaminantes específicos.

Para a maioria das pessoas, um filtro doméstico bem mantido já oferece benefícios significativos.

Variabilidade regional

A qualidade da água pode variar ligeiramente por região. Áreas rurais ou edifícios com infraestruturas antigas podem ter mais calcário ou metais. É recomendável consultar os relatórios da entidade reguladora local para conhecer a composição da água que consome.

Água em Portugal

Em suma, beber água da torneira em Portugal é uma escolha segura e responsável. A ciência mostra, no entanto, que existe um espaço entre o “seguro” e o “ideal”.

Filtrar a água não é uma necessidade de sobrevivência, mas sim uma forma de otimizar a saúde. Ao usar um jarro filtrante ou um sistema sob a pia, reduz-se a ingestão de microplásticos e subprodutos da desinfeção que, embora controlados, é preferível minimizar a longo prazo.

É a opção mais económica, ecológica e, para muitos, prudente. A única condição é simples: manter o filtro rigorosamente, para que a solução não se torne um problema.

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