Entre 30 a 50% dos cancros mais comuns podem ser prevenidos

Este número não surge de especulação. Resulta de décadas de investigação reunidas pelo World Cancer Research Fund (WCRF) e pelo American Institute for Cancer Research (AICR), duas das organizações mais reconhecidas na área da prevenção oncológica.

O cancro continua a ser visto como uma questão de genética ou má sorte. E em parte é. Mas a evidência científica mostra que uma proporção relevante do risco é modificável.

O que a investigação mostra

O WCRF e o AICR desenvolveram recomendações baseadas em alimentação, atividade física, controlo do peso e consumo de álcool. Estudos populacionais europeus mostram que maior adesão a estas recomendações está associada a menor mortalidade total e menor mortalidade por cancro. Uma meta-análise confirmou estas associações, mostrando ligação consistente com menor risco de vários tipos de cancro e melhores resultados após diagnóstico.

Não se trata de um único alimento ou suplemento, mas de padrões de vida sustentados ao longo do tempo.

No cancro da mama, a evidência é ainda mais direta

Um estudo prospetivo mostrou que mulheres com maior adesão às recomendações do WCRF e AICR tinham menor risco de desenvolver cancro da mama. As recomendações incluem manter um peso saudável, praticar atividade física regular, reduzir o álcool, aumentar alimentos de origem vegetal e limitar ultraprocessados.

Não é um fator isolado. O padrão global é o que parece ser mais relevante.

A fibra como exemplo concreto

Dentro da alimentação, a fibra é um dos fatores mais estudados. Uma meta-análise dose-resposta em mulheres com cancro da mama mostrou que maior ingestão de fibra está associada a menor mortalidade total e menor mortalidade por cancro da mama. O efeito é gradual: quanto maior a ingestão, maiores as associações observadas. Os mecanismos propostos incluem regulação hormonal, sensibilidade à insulina e microbiota intestinal, mas a mensagem prática mantém-se: mais fibra, melhores resultados observados.

Estilo de vida como parte do tratamento

Uma revisão sobre medicina do estilo de vida aplicada ao cancro da mama integra estes fatores. Alimentação, atividade física, sono, gestão do stress e controlo do peso são apresentados como complementares ao tratamento médico convencional.

Não substituem tratamentos, mas fazem parte do contexto biológico que influencia a progressão da doença e a recuperação.

O que fica

Não é uma garantia individual nem uma promessa de prevenção absoluta. É uma evidência consistente, em grandes populações, ao longo de décadas, que aponta para o estilo de vida como um dos fatores modificáveis com maior impacto documentado na prevenção e na evolução do cancro da mama.

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