Os Perigos do Bolor em Casa e na Alimentação

Muitas vezes olhamos para o bolor como apenas uma mancha incómoda na parede ou um pedaço de pão esquecido no fundo do armário. No entanto, o bolor pode ser muito mais do que um problema estético: pode ter impacto real na saúde física e mental, sobretudo quando a exposição é contínua.

Bolor na comida: cortar a parte visível não chega

Quando aparece bolor num alimento, a opção mais segura é deitar tudo fora. Cortar apenas a parte visível não resolve o problema, porque os fungos desenvolvem filamentos microscópicos que podem espalhar-se por todo o alimento, mesmo quando não os vemos.

Alguns bolores produzem micotoxinas, substâncias tóxicas que, quando ingeridas de forma repetida, estão associadas a efeitos adversos como:

  • Sobrecarga e lesões hepáticas

  • Reações alérgicas

  • Alterações do sistema imunitário

  • Em casos específicos (como as aflatoxinas), aumento do risco de certos tipos de cancro

Por isso, a regra é simples: não consumas alimentos com bolor, exceto aqueles que são produzidos especificamente com fungos controlados, como alguns queijos (ex.: Roquefort, Brie ou Camembert).

Bolor em casa: um problema muitas vezes invisível

Humidade elevada, falta de ventilação, infiltrações ou episódios de inundação criam o ambiente ideal para o crescimento de bolor. Ele pode desenvolver-se em paredes, tetos, janelas, armários, colchões ou atrás de móveis — muitas vezes fora do nosso campo de visão.

O problema não é apenas visual. O bolor pode libertar esporos e compostos irritantes para o ar, que acabam por ser inalados diariamente, sobretudo em espaços fechados.

Como o bolor pode afetar a saúde

A exposição prolongada a ambientes húmidos e com bolor tem sido associada, em vários estudos, a sintomas respiratórios e a um aumento de infeções das vias aéreas, especialmente em crianças e pessoas mais sensíveis.

Para além disso, muitas pessoas relatam sintomas mais gerais, como:

  • Cansaço persistente, mesmo após descanso

  • Dificuldade de concentração e sensação de “nevoeiro mental”

  • Dores de cabeça frequentes

  • Irritabilidade e alterações de humor

  • Tosse, congestão nasal ou agravamento de alergias

  • Perturbações do sono

Existem também relatos pessoais amplamente divulgados, como o de Dave Asprey, conhecido pelo seu trabalho na área do biohacking, que descreve um impacto significativo na sua saúde após exposição prolongada a bolor na sequência de uma inundação em casa.

Independentemente de experiências individuais, a literatura científica sugere que nem todas as pessoas reagem da mesma forma. Alguns indivíduos parecem ser mais vulneráveis aos efeitos do bolor e das micotoxinas, possivelmente devido a diferenças genéticas e na capacidade de detoxificação do organismo.

O que fazer para prevenir e eliminar o bolor

A boa notícia é que, na maioria dos casos, é possível reduzir bastante o risco com medidas simples:

  • Ventila a casa diariamente, mesmo no inverno

  • Mantém a humidade relativa entre 40% e 60% (um desumidificador pode ser uma grande ajuda)

  • Repara infiltrações e fugas de água o mais rapidamente possível

  • Evita secar roupa dentro de casa sem ventilação adequada

  • Limpa pequenas áreas com bolor usando vinagre ou peróxido de hidrogénio

  • Em situações mais graves, remove materiais contaminados (como gesso, carpetes ou madeiras)

  • Considera testes para detetar bolor escondido se tiveres sintomas persistentes sem causa aparente

Porque não devemos ignorar o bolor

O bolor raramente causa sintomas dramáticos de um dia para o outro. O problema é a exposição crónica, silenciosa, que pode ir desgastando a saúde ao longo do tempo. Muitas vezes, os sintomas são atribuídos ao stress, ao sono ou a outros fatores, enquanto a verdadeira causa continua presente no ambiente.

Cuidar da qualidade do ar e do nível de humidade em casa não é um detalhe — é uma parte essencial de cuidar da saúde.

A minha experiência pessoal

No inverno, costumo ter sempre um desumidificador nas divisões onde passo mais tempo. À noite deixo-o no escritório e, durante o dia, coloco-o no quarto. Ainda assim, este ano, com vários meses de chuva intensa, começou a entrar água no espaço onde tenho o computador — por vezes em quantidade significativa.

Fiz o possível para minimizar os danos e manter o ambiente seco. No entanto, quando fui trocar a massa térmica do computador (que esteve sempre em cima da secretária, nunca no chão), reparei que o cooler estava a começar a corroer. A pessoa que me ajudou perguntou de imediato: “Tens muita humidade no espaço onde estás?”

Eu achava que não. Aquilo foi uma prova clara do contrário.

Se a humidade estava a afetar uma peça metálica daquela forma, o que estaria a fazer à minha saúde, de forma invisível e silenciosa? Foi um alerta importante — e acredito que muitas pessoas possam estar expostas a ambientes semelhantes sem se aperceberem.

O bolor que não vês

O bolor não é apenas um incómodo visual nem um cheiro desagradável. Pode ser um fator ambiental relevante para a saúde, sobretudo quando ignorado durante meses ou anos.

Controlar a humidade, ventilar a casa e agir rapidamente perante sinais de bolor são medidas simples que podem fazer uma grande diferença no bem-estar, na energia e na qualidade de vida.

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