Latas de alumínio têm plástico?

As latas de alumínio parecem ser apenas metal. Não são.

Por dentro têm um revestimento plástico fino, invisível e com uma função concreta: evitar que o líquido reaja com o metal. Esse revestimento pode libertar compostos químicos para o que bebemos.

A questão não é se acontece. Acontece. É quanto, com que frequência, e o que isso significa para a saúde ao longo do tempo.

O que há dentro de uma lata

O alumínio não está em contacto direto com a bebida. No interior existe um revestimento fino de resina epóxi, um tipo de plástico usado para evitar corrosão e alterações de sabor.

Durante décadas, este revestimento foi feito com bisfenol A, conhecido como BPA, um composto com capacidade de interferir com o sistema hormonal.

Esse plástico passa para a bebida?

Sim. Isso está bem documentado.

Estudos mostram que o BPA pode migrar do revestimento para os alimentos e bebidas. Essa migração não é fixa. Aumenta com o tempo de armazenamento, com o calor e com o tipo de conteúdo.

Alimentos ácidos ou gordos tendem a facilitar esse processo. O padrão é claro: mais tempo e mais calor significam maior transferência.

Qual é o risco real?

Uma lata ocasional não representa um risco imediato.

Na maioria dos casos, as quantidades detetadas ficam abaixo dos limites definidos por entidades como a EFSA ou a FDA. O problema não está numa única exposição, mas na soma de várias ao longo do dia.

O BPA não está apenas nas latas. Está em plásticos, embalagens e até em recibos. É essa exposição acumulada que levanta mais dúvidas.

E as latas “sem BPA”?

Muitas marcas substituíram o BPA por outros materiais, como resinas acrílicas, poliésteres ou compostos semelhantes.

Isso reduz a exposição ao BPA, mas não elimina o problema. Alguns desses materiais também libertam substâncias químicas, muitas ainda pouco estudadas.

Na prática, trocámos um composto conhecido por outros menos compreendidos.

E os micro e nanoplásticos?

Um estudo recente de investigadores da Columbia University encontrou centenas de milhares de partículas de nanoplásticos por litro em água engarrafada.

Não existe ainda um estudo equivalente focado em latas. Ainda assim, sabemos que a exposição a micro e nanoplásticos é generalizada e vem de várias fontes: água, ar e alimentos.

Em síntese

As latas de alumínio têm um revestimento plástico que pode libertar pequenas quantidades de compostos para o que consumimos, sobretudo com calor e armazenamento prolongado.

O risco de uma lata ocasional é baixo. O ponto mais relevante é a exposição acumulada ao longo do tempo.

Reduzir essa exposição de forma consciente é uma das decisões mais sensatas a longo prazo.

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