O que está dentro do teu perfume?

Todos gostamos de cheirar bem. Um perfume pode transmitir confiança, despertar memórias e até fazer parte da nossa identidade. Mas há uma pergunta que quase ninguém faz antes de o aplicar.

Sabes realmente o que está dentro daquele frasco?

O ingrediente que ninguém te conta

Muitos perfumes comerciais contêm uma família de compostos chamada ftalatos. Estes são utilizados para fixar a fragrância e prolongar o aroma na pele. O problema é que vários ftalatos são classificados como disruptores endócrinos, ou seja, podem interferir com o funcionamento normal das hormonas.

Além disso, alguns estudos encontraram ftalatos em perfumes sem que estes constassem da lista de ingredientes.

O que os estudos dizem

Um estudo analisou 40 perfumes comerciais utilizando cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massa, uma técnica laboratorial de elevada precisão. O dietilftalato foi detetado em todas as amostras. Já o DEHP, um ftalato proibido em cosméticos na União Europeia devido à sua toxicidade reprodutiva, foi encontrado em 95% dos perfumes analisados, apesar de não constar da lista de ingredientes.

Outro estudo mostrou que pessoas que utilizam mais produtos perfumados apresentam concentrações mais elevadas de metabolitos de ftalatos na urina. Isto confirma que estas substâncias são efetivamente absorvidas pelo organismo, quer através da pele, quer pela inalação.

Falando em inalação, o perfume não fica apenas na pele. Depois de aplicado, parte da fragrância evapora para o ar interior. Essa evaporação liberta compostos orgânicos voláteis que, ao reagirem com o ozono presente no ambiente, podem formar novas substâncias potencialmente irritantes para as vias respiratórias. Um espaço muito perfumado não é necessariamente um espaço mais saudável.

Qual é o risco real?

Os estudos indicam que, na maioria das amostras analisadas, a exposição estimada encontra-se dentro dos limites considerados aceitáveis. No entanto, algumas amostras apresentaram concentrações de DEHP suficientemente elevadas para justificar preocupação e investigação adicional quanto ao potencial risco associado.

Outro aspeto importante é que, no dia a dia, não estamos expostos a um único ftalato nem a uma única fonte. A ciência tem vindo a demonstrar que a exposição simultânea a vários disruptores endócrinos pode produzir efeitos cumulativos, mesmo quando cada composto, isoladamente, se encontra abaixo dos limites de segurança.

O verdadeiro problema não é o perfume.

É a acumulação.

Perfume, desodorizante, creme hidratante, champô, detergente da roupa, amaciador, velas perfumadas e ambientadores. Pequenas exposições que se repetem todos os dias, durante anos. O risco de cada produto isoladamente pode ser baixo, mas o efeito combinado de todas estas fontes continua a ser um desafio para a investigação científica.

O que podes fazer?

Escolhe, sempre que possível, marcas que divulguem a composição completa dos seus produtos.

Evita aplicar perfume em excesso ou várias vezes ao longo do dia.

Reduz o número de produtos perfumados que utilizas em simultâneo.

Ventila regularmente os espaços interiores para diminuir a concentração de compostos voláteis no ar.

A mensagem principal

Não é preciso deixar de usar perfume.

Mas faz sentido saber o que está dentro do frasco.

Conhecer a composição dos produtos que usamos diariamente permite fazer escolhas mais conscientes e reduzir exposições desnecessárias. Afinal, cuidar da saúde começa, muitas vezes, por compreender aquilo a que estamos expostos todos os dias.

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