O Tendão de Aquiles funciona como uma mola
Quando corremos ou saltamos, assumimos que os músculos fazem todo o trabalho. Mas isso não é verdade.
O tendão de Aquiles desempenha um papel fundamental no movimento. Mais do que uma estrutura que liga músculos ao osso, funciona como uma mola biológica. A cada passo, alonga-se ligeiramente, armazena energia elástica e devolve-a momentos depois, ajudando a impulsionar o corpo para a frente.
Um estudo publicado na Scientific Reports mostrou que o tendão de Aquiles armazena e devolve quantidades significativas de energia tanto durante a caminhada como durante a corrida. Em outras palavras, parte da energia que usamos para nos movermos não vem dos músculos. Vem do próprio tendão.
Nem todos aproveitam esta mola da mesma forma
A anatomia também influencia este processo. Investigadores verificaram que pessoas com um calcanhar relativamente mais curto tendem a armazenar mais energia elástica no tendão durante a corrida e os sprints.
Isto não significa que o desempenho esteja determinado à nascença, mas mostra que pequenas diferenças anatómicas podem afetar a eficiência do movimento.
Os melhores atletas não são apenas mais fortes
Um estudo realizado com atletas de elite concluiu que velocistas, saltadores e corredores de alto nível conseguem armazenar e reutilizar energia elástica de forma mais eficiente do que a população geral.
A força muscular continua a ser importante, mas o desempenho depende também da capacidade de aproveitar a energia que o corpo consegue armazenar nos tendões.
Porque é que recuperar a força nem sempre chega?
Após uma lesão do tendão de Aquiles, muitas pessoas recuperam a força muscular mas continuam com dificuldades em correr ou regressar ao desempenho anterior.
A razão pode ser simples: força muscular e capacidade elástica não são a mesma coisa.
O tendão pode voltar a suportar carga, mas ainda não ter recuperado totalmente a sua função de mola. É por isso que os programas de reabilitação modernos incluem frequentemente exercícios pliométricos, saltos e ressaltos progressivos, além do treino de força.
O que acontece quando a mola perde eficiência?
Um estudo com corredores de longa distância mostrou que uma corrida prolongada pode reduzir temporariamente a rigidez do tendão de Aquiles. Quando isso acontece, o custo energético da corrida aumenta.
Os músculos precisam de trabalhar mais porque o tendão devolve menos energia. O resultado é uma menor eficiência e uma maior sensação de cansaço.
A principal lição
Durante muito tempo, o foco esteve quase exclusivamente na força muscular. Hoje sabemos que essa é apenas parte da equação.
O tendão de Aquiles não é apenas um cabo que liga músculos ao osso. É uma mola biológica que armazena e devolve energia a cada passo.
Quanto melhor esta mola funcionar, mais eficiente será o movimento e menor será o esforço necessário para correr, saltar e mover.
Fontes:
Shorter heels are linked with greater elastic energy storage in the Achilles tendon
Sport-Specific Capacity to Use Elastic Energy in the Patellar and Achilles Tendons of Elite Athletes
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