Perfume, Disruptores Endócrinos e Tiroide

Os perfumes fazem parte da rotina diária de milhões de pessoas. Mas nos últimos anos, vários estudos científicos têm levantado dúvidas sobre alguns compostos usados em fragrâncias sintéticas, em particular o seu possível papel como disruptores endócrinos e a ligação à função da tiroide.

O que pode existir dentro de um perfume

Muitos perfumes e colónias contêm substâncias como ftalatos, usados para fixar a fragrância, almíscares sintéticos e outros compostos com atividade hormonal.

Um detalhe importante é que estes ingredientes aparecem muitas vezes no rótulo apenas como “fragrance” ou “parfum”, um termo genérico que pode esconder dezenas de substâncias diferentes. Para quem tenta fazer escolhas mais informadas, isto não ajuda.

O que são disruptores endócrinos

Disruptores endócrinos são químicos que conseguem interferir com o sistema hormonal. Podem imitar hormonas, bloquear recetores ou alterar a forma como o corpo produz e utiliza essas hormonas.

A tiroide é especialmente sensível, porque as hormonas tiroideias controlam funções básicas como o metabolismo, os níveis de energia, a temperatura corporal e o desenvolvimento do cérebro.

O que a ciência diz sobre ftalatos e tiroide

Vários estudos mostram associações entre a exposição a ftalatos e alterações nos níveis das hormonas da tiroide.

Em adultos, estas associações envolvem alterações de TSH, T3 e T4. Em crianças e adolescentes, o sistema hormonal parece ser ainda mais sensível. Durante a gravidez, a exposição materna a ftalatos está ligada a alterações hormonais que podem influenciar o desenvolvimento do bebé.

Há também estudos em ambientes de trabalho que mostram níveis mais elevados destes compostos em pessoas com contacto diário com perfumes.

Estudos em animais e em laboratório ajudam a explicar como isto pode acontecer, mostrando que estes químicos conseguem interferir diretamente com a função tiroideia.

Associação não é o mesmo que causa

É importante dizer isto de forma clara: a maioria destes estudos é observacional. Ou seja, mostram ligações, mas não provam que o perfume seja a causa direta do problema. Outros fatores como alimentação, genética ou exposição a outros químicos também contam.

Além disso, os efeitos observados tendem a ser pequenos e variam bastante de pessoa para pessoa. A investigação continua a evoluir.

Perfume no pescoço faz mal à tiroide?

Esta ideia aparece muitas vezes nas redes sociais, mas não tem base científica.

Os compostos do perfume são absorvidos pela pele e entram na corrente sanguínea, afetando o corpo de forma geral. Não há provas de que aplicar perfume no pescoço cause um efeito direto na tiroide.

Quando existe algum risco, ele está ligado à exposição repetida ao longo do tempo, e não ao local onde o perfume é aplicado.

E a questão da regulamentação?

Na União Europeia, alguns ftalatos (como o DEHP) estão proibidos em cosméticos há vários anos, o que reduz bastante o risco em produtos vendidos legalmente na UE.

Mesmo assim:

  • nem todos os compostos problemáticos estão regulamentados

  • muitos substitutos são pouco estudados

  • a designação “fragrance” continua a esconder informação

Noutros países, como os EUA, as regras podem ser menos apertadas, o que é relevante para quem usa perfumes importados.

O verdadeiro problema: a exposição diária

Hoje sabemos que não estamos expostos a um químico de cada vez, mas sim a misturas de pequenas doses todos os dias. Perfumes, cosméticos, produtos de limpeza e plásticos.

É esta exposição cumulativa que mais preocupa quando se fala de disruptores endócrinos.

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