Porque é que o metabolismo muda com a idade

É comum ouvir dizer que "o metabolismo abranda com a idade". Há alguma verdade nesta ideia, mas a realidade é mais complexa e, sobretudo, mais animadora do que parece.

O envelhecimento traz alterações naturais ao organismo. Perdemos massa muscular, acumulamos mais gordura na zona abdominal e as células deixam de responder à insulina com a mesma eficiência. No entanto, estas mudanças não acontecem ao mesmo ritmo em todas as pessoas e grande parte delas pode ser atrasada através do estilo de vida.

O músculo é um dos grandes protagonistas

O músculo esquelético é o principal local onde a glicose é removida da corrente sanguínea depois das refeições. À medida que envelhecemos, começamos a perder massa muscular num processo conhecido como sarcopenia. Com menos músculo, o organismo tem mais dificuldade em utilizar a glicose, aumentando o risco de resistência à insulina.

Esta relação funciona nos dois sentidos. A perda de músculo favorece a resistência à insulina e, por sua vez, a resistência à insulina acelera a perda de massa muscular.

A gordura que realmente preocupa

Com a idade, a gordura tende a acumular-se à volta dos órgãos internos. Esta gordura visceral é metabolicamente muito ativa. Liberta substâncias inflamatórias e interfere com a ação da insulina, contribuindo para o desenvolvimento de diabetes tipo 2 e outras doenças metabólicas.

Além disso, parte dessa gordura infiltra-se no próprio músculo, reduzindo a eficiência das mitocôndrias, as estruturas responsáveis pela produção de energia nas células.

O mais importante é perceber que nem sempre este problema é visível. É possível ter um peso normal e, ainda assim, apresentar excesso de gordura visceral.

O que acontece dentro do organismo?

O envelhecimento está associado a várias alterações que reduzem a eficiência do metabolismo.

As mitocôndrias produzem menos energia, instala-se uma inflamação crónica de baixo grau, diminuem hormonas importantes para a manutenção da massa muscular, como a testosterona e a hormona do crescimento, e o músculo torna-se menos sensível tanto à proteína como ao exercício.

O resultado é um organismo que responde pior à insulina, utiliza menos eficientemente os nutrientes e acumula gordura com maior facilidade.

A resistência à insulina não é apenas uma consequência da idade

A insulina permite que a glicose entre nas células para ser utilizada como fonte de energia. Quando as células deixam de responder adequadamente, a glicose permanece mais tempo no sangue e o pâncreas é obrigado a produzir cada vez mais insulina.

Apesar de a idade contribuir para este processo, a investigação mostra que a perda de massa muscular, o excesso de gordura visceral e o sedentarismo têm um papel ainda mais importante. Pessoas fisicamente ativas mantêm uma sensibilidade à insulina significativamente melhor do que pessoas sedentárias da mesma idade.

O exercício continua a ser um dos melhores "medicamentos"

A evidência científica é consistente. O exercício físico é uma das estratégias mais eficazes para preservar a saúde metabólica.

O treino de força merece especial destaque porque ajuda a manter e a aumentar a massa muscular, melhora a utilização da glicose e reduz a resistência à insulina.

O exercício aeróbio complementa estes benefícios ao melhorar a saúde cardiovascular, aumentar a capacidade das mitocôndrias e ajudar a reduzir a gordura visceral.

A combinação dos dois tipos de treino oferece os melhores resultados.

A proteína torna-se ainda mais importante

As necessidades de proteína aumentam com a idade. A recomendação mínima de 0,8 g por quilograma de peso corporal foi definida para evitar deficiências, não para otimizar a saúde muscular.

Hoje sabe-se que muitos adultos mais velhos beneficiam de cerca de 1 a 1,2 g de proteína por quilograma de peso corporal por dia, sobretudo quando praticam exercício físico.

Também importa distribuir essa proteína ao longo do dia e privilegiar alimentos ricos em proteína de elevada qualidade, como carne, peixe, ovos, laticínios e leguminosas.

O padrão alimentar faz a diferença

Um padrão alimentar rico em vegetais, fruta, leguminosas, frutos secos, peixe e azeite ajuda a controlar a inflamação e favorece uma melhor sensibilidade à insulina. Pelo contrário, uma alimentação rica em alimentos ultraprocessados, açúcares adicionados e gorduras de baixa qualidade acelera o declínio metabólico.

A mensagem principal

Envelhecer é inevitável. Perder músculo rapidamente, acumular gordura visceral e desenvolver resistência à insulina não é.

As escolhas do dia a dia têm um impacto profundo na forma como o metabolismo envelhece. Treinar regularmente, sobretudo com treino de força, consumir proteína suficiente e manter uma alimentação baseada em alimentos pouco processados continuam a ser as estratégias com maior suporte científico para preservar a saúde metabólica ao longo da vida.

A idade faz parte da equação. Mas o estilo de vida continua a ser um dos fatores que mais influencia a forma como envelhecemos.

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