A Alimentação Está Entre as Maiores Causas de Morte no Mundo
Há uma pergunta simples que a ciência tem vindo a responder com dados cada vez mais difíceis de ignorar: quantas mortes são causadas por aquilo que comemos, ou deixamos de comer? A resposta é desconcertante.
Um estudo publicado no The Lancet em 2019, que analisou os padrões alimentares de 195 países entre 1990 e 2017, concluiu que cerca de 11 milhões de mortes por ano estavam associadas a dietas inadequadas, mais do que as aproximadamente 8 milhões atribuídas ao tabaco no mesmo período.
O problema não é apenas o açúcar ou a gordura
Quando se fala em má alimentação, pensa-se nos excessos: demasiada fast food, demasiado açúcar, demasiado sal. E é verdade que esses excessos têm um peso enorme. Mas o que os estudos mostram com clareza é que o problema é duplo: comemos demais do que faz mal, e de menos do que faz bem.
Um estudo publicado no The Lancet em 2019, que analisou os padrões alimentares de 195 países entre 1990 e 2017, concluiu que cerca de 11 milhões de mortes por ano estavam associadas a dietas inadequadas. Para colocar em perspetiva: isso supera as mortes causadas pelo tabaco no mesmo período.
Os fatores mais mortíferos não foram só o excesso de açúcar ou gorduras saturadas. O consumo insuficiente de frutas, legumes, cereais integrais, frutos secos e leguminosas revelou-se igualmente perigoso, e em alguns casos, ainda mais.
O coração paga a conta
A doença cardiovascular é onde o impacto se faz sentir com mais força.
Um estudo que acompanhou 51 países da Região Europeia da OMS entre 1990 e 2016 mostrou que uma parte substancial das mortes cardiovasculares podia ser atribuída a fatores de risco alimentares. O excesso de sódio, a falta de frutos secos e sementes, e o baixo consumo de cereais integrais apareceram repetidamente como os maiores culpados.
Uma análise específica à doença coronária isquémica, o tipo mais comum de doença cardíaca, que cobriu dados de 1990 a 2019 reforçou esta conclusão: a alimentação é um dos principais motores desta patologia a nível global, responsável por milhões de anos de vida perdidos ou vividos com incapacidade.
A diabetes tipo 2 também tem raízes no prato
Os dados sobre diabetes tipo 2 contam uma história semelhante. Uma análise do Estudo Global da Carga de Doença demonstrou que uma proporção significativa dos casos de diabetes tipo 2 a nível mundial é atribuível a escolhas alimentares, em particular ao consumo excessivo de cereais refinados, bebidas açucaradas e carnes processadas, em combinação com a ingestão insuficiente de alimentos protetores.
Isto não significa que a alimentação seja o único fator, a genética, o sedentarismo e outros aspetos do estilo de vida também contam. Mas significa que a alimentação é um dos alavancadores mais poderosos que temos ao nosso alcance.
Frutas e legumes: simples e subestimados
Um dos estudos mais recentes, que analisou dados de 1990 a 2021, focou-se exclusivamente no impacto do consumo insuficiente de frutas e vegetais. As conclusões foram claras: comer pouca fruta e poucos legumes está associado a milhões de mortes evitáveis, principalmente por doenças cardiovasculares e certos tipos de cancro.
E não se trata de comer quantidades heroicas. A questão é que grande parte da população mundial simplesmente não chega ao mínimo recomendado, e isso tem consequências mensuráveis na esperança de vida e na qualidade de saúde.
Uma nota final
Estes estudos não foram feitos para nos culpar individualmente. A alimentação é moldada por fatores que vão muito além das escolhas pessoais: o preço dos alimentos, a publicidade, a disponibilidade nos supermercados, o tempo que temos para cozinhar, e as políticas públicas que regulam (ou não) o setor alimentar.
Mas conhecer os dados ajuda a tomar decisões mais informadas, e a perceber que o que colocamos no prato, todos os dias, tem um impacto real e mensurável na nossa saúde e na nossa longevidade.
Fontes:
The burden of dietary risk factors in the Nordic and Baltic countries
Global burden of non-communicable diseases attributable to dietary risks in 1990-2019
The Global Burden of Type 2 Diabetes Attributable to Dietary Risks
Impact of dietary risk on global ischemic heart disease: findings from 1990–2019
The global burden of disease attributable to suboptimal fruit and vegetable intake, 1990–2021
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