A banana "destrói" os antioxidantes do smoothie?

Os smoothies são uma forma prática de consumir mais fruta. O que a investigação mais recente trouxe foi uma questão diferente: não apenas o que se coloca no copo, mas o que acontece depois de misturar. A banana é um bom exemplo disso.

O estudo que gerou a discussão

Em 2023, investigadores publicaram na revista Food & Function um ensaio clínico controlado com oito homens saudáveis. Cada participante consumiu, em momentos distintos, um smoothie com banana, um smoothie de frutos vermelhos e uma cápsula com flavanóis como controlo.

Os níveis sanguíneos de flavan-3-ols após a cápsula e o smoothie de frutos vermelhos foram semelhantes. Já o smoothie com banana resultou em níveis cerca de 84% inferiores.

Um resultado expressivo, mas que precisa de contexto.

O papel da PPO

A polyphenol oxidase (PPO) é a enzima que escurece a banana ou a maçã quando expostas ao ar. No smoothie, essa enzima entra em contacto com os flavan-3-ols dos frutos vermelhos e oxida parte desses compostos, tornando-os menos disponíveis para absorção. Num estudo adicional, os investigadores impediram o contacto entre a banana e os flavanóis antes da ingestão; mesmo assim, os níveis no sangue continuaram reduzidos, o que sugere que a PPO pode permanecer ativa no estômago.

Os flavan-3-ols são polifenóis presentes em mirtilos, morangos, chá verde e cacau, associados a benefícios cardiovasculares e à saúde vascular.

O que o estudo não diz

Não concluiu que a banana é prejudicial, nem que os smoothies perdem o seu valor. Mediu a biodisponibilidade de um grupo específico de compostos. A banana continua a ser uma boa fonte de potássio, fibra e vitamina B6. Vale ainda notar que parte da investigação teve financiamento ligado à Mars, empresa com interesse comercial nos flavanóis do cacau, o que não invalida os resultados, mas merece ser tido em conta.

O smoothie também muda com o tempo

Um segundo estudo, publicado na revista Foods, acompanhou smoothies de dióspiro e maçã ao longo de seis meses em armazenamento refrigerado. Os polifenóis totais diminuíram entre 23,5% e 42,5%, sendo as antocianinas os compostos mais sensíveis, com perdas entre 71,7% e 100%. A atividade antioxidante diminuiu sobretudo nos primeiros três meses, até cerca de 60%.

Ou seja, um smoothie não é um sistema estático: a composição continua a alterar-se ao longo do tempo, não apenas no momento em que é preparado.

O que fazer com esta informação

Se o objetivo for maximizar os flavan-3-ols dos frutos vermelhos, pode-se optar por frutas com baixa atividade PPO, como ananás, manga ou citrinos. Para a maioria das pessoas, porém, este detalhe terá pouco impacto na saúde em geral. Um smoothie com banana continua a ser muito melhor do que não comer fruta nenhuma.

A ciência raramente aponta para um único culpado. Aponta para padrões.

Fontes:

Shorts:

Próximo
Próximo

Entre 30 a 50% dos cancros mais comuns podem ser prevenidos