Como o teu Cão está a Transformar a tua Saúde Intestinal
O teu microbioma intestinal não se desenvolve num vácuo. É moldado pelo que comes, pelo sítio onde vives e pelas pessoas (e animais) com quem partilhas o dia a dia. A pergunta que interessa é esta: ter um cão em casa pode mesmo influenciar as bactérias que vivem no teu intestino?
A resposta curta: sim. A resposta longa é bem mais interessante.
Viver juntos significa partilhar mais do que o sofá
Há estudos que analisaram variantes de DNA bacteriano e descobriram algo fascinante: humanos e cães que vivem na mesma casa partilham parte da sua microbiota intestinal. Não é que o teu intestino fique igual ao do teu cão (isso seria estranho), mas o ambiente comum facilita trocas microbianas entre vocês os dois.
Outra investigação mostrou que ter um animal em casa aumenta a diversidade de micróbios no ambiente doméstico - e isso reflete-se na composição do teu microbioma intestinal. Diversidade microbiana não é garantia automática de saúde, mas costuma significar um ecossistema intestinal mais resiliente, mais capaz de se adaptar.
Não é só a composição - é como funcionam
O curioso é que o microbioma de cães e humanos não é apenas parecido nas bactérias que contém. É parecido também na forma como essas bactérias funcionam e como respondem à dieta. Há paralelos metabólicos reais entre as duas espécies. Partilhar a casa, as rotinas e muitas vezes até alguns alimentos, acentua essa convergência.
A troca vai muito além do intestino
Esta partilha microbiana não fica limitada ao sistema digestivo. Um estudo sobre o microbioma da superfície dos olhos descobriu que cães e donos trocam mais microrganismos quando vivem juntos. A proximidade física, as lambidelas, as festas - tudo isto cria oportunidades para intercâmbio microbiano em vários tecidos do corpo.
O efeito muda com a idade
Na adolescência, ter um cão foi associado a mudanças no microbioma intestinal e até a melhorias na saúde mental. Não podemos dizer com certeza absoluta que uma coisa causa a outra, mas os dados sugerem que o ambiente microbiano e a interação com o animal podem ter um papel no famoso eixo intestino-cérebro.
Em pessoas idosas, donos de cães apresentam diferenças claras na composição da microbiota em comparação com quem não tem animais. Algumas dessas alterações envolvem grupos de bactérias ligados a melhor saúde metabólica e menos inflamação.
A tua casa é um ecossistema vivo
A microbiota não é uma coisa isolada dentro de ti. A tua casa funciona como um ecossistema partilhado. As superfícies, o ar, o pó, o contacto físico - tudo cria uma rede constante de transferência microbiana. E os cães, porque passam tempo lá fora, trazem micróbios do ambiente exterior para dentro de casa, aumentando a diversidade ecológica do espaço onde vives.
Não confundas com contágio
Não estamos a falar de um microbioma "saudável" que se transmite como se fosse uma gripe. A maioria destas bactérias não coloniza permanentemente o novo hospedeiro. O que acontece é uma modulação ecológica. O ambiente fica mais diverso, e essa diversidade pode influenciar o teu sistema imunitário e a composição microbiana de forma indireta.
O que isto nos diz
A ciência atual aponta para isto: viver com um cão influencia o microbioma humano. A coabitação aumenta a partilha de micróbios, altera a composição intestinal e pode estar ligada a benefícios imunitários e até psicológicos. O mecanismo não é mágico nem direto - é ecológico e ambiental.
O teu microbioma não depende apenas do que comes. Depende também de com quem vives e do ambiente que partilhas. A saúde, vista por este prisma, é parcialmente um fenómeno coletivo.
Fontes:
Pets in the household increase ocular surface microbiome exchanges between dog and owner
Similarity of the dog and human gut microbiomes in gene content and response to diet
Dog ownership during adolescence alters the microbiota and improves mental health
Effects of dog ownership on the gut microbiota of elderly owners
Household Pet Ownership and the Microbial Diversity of the Human Gut Microbiota
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