Quanto Café Faz Sentido Beber?

A discussão sobre o café mudou. Hoje, com estudos grandes e dados consistentes, a pergunta já não é se o café faz bem ou mal. A pergunta é quanto.

E a resposta não é o zero. Beber café moderadamente parece ser melhor do que não beber nenhum.

Foi quando começaram os estudos grandes que tudo mudou

Nos últimos anos, surgiram estudos com centenas de milhares de pessoas. O UK Biobank e outras grandes coortes do mesmo género. O padrão que aparece é bastante claro. Quem bebe café regularmente tem menos probabilidade de desenvolver diabetes tipo 2, problemas cardiovasculares ou AVC ao longo da vida, comparado com quem não bebe.

Mas atenção ao detalhe. A quantidade importa. E não é uma coisa linear do género “quanto mais melhor”. Também não é verdade que zero seja o ideal. O ponto onde o risco parece mais baixo está entre 2 a 4 cafés por dia, qualquer coisa como 200 a 300 mg de cafeína.

O que é curioso é que mesmo as pessoas que bebem mais, acima das 400 mg por dia, continuam a ter resultados melhores ou iguais aos que não bebem nada. Ou seja, aquela ideia de que a cafeína é automaticamente má não bate certo com os dados.

Não são só números. São anos de vida

Quando olhamos para assuntos mais pesados, como mortalidade por qualquer causa, a história mantém-se. Estudos feitos em população geral, em pessoas com diabetes e até em doentes com historial cardiovascular mostram a mesma coisa. Quem bebe algum café tem tendência a viver mais do que quem não bebe nenhum.

O padrão repete-se. Consumo ligeiro a moderado está associado a viver mais e melhor. Acima disso, o benefício não aumenta muito mais, mas também não desaparece.

Mas e a tensão arterial?

Aqui é preciso separar as coisas. Se deres cafeína isolada a alguém, por exemplo em cápsulas, sim, a tensão sobe um bocadinho, sobretudo no início. Isso está bem documentado.

Mas quando olhamos para quem bebe café ao longo de anos, não estamos a falar de um pico pontual, mas do hábito em si. Esse aumento não se traduz num risco cardiovascular maior a longo prazo. Porquê? Porque o café não é só cafeína. Tens lá polifenóis, compostos anti-inflamatórios e uma série de substâncias que parecem compensar aquele efeito imediato da cafeína.

É por isso que os estudos de longo prazo mostram benefícios globais, mesmo com a cafeína a fazer o que faz no momento.

Nem todas as pessoas são iguais

Isto não funciona da mesma forma para todos. Em adolescentes, por exemplo, a relação entre cafeína e saúde cardiometabólica é uma confusão. Há bebidas açucaradas à mistura, padrões de sono completamente desalinhados e diferenças grandes no estilo de vida. É difícil isolar o efeito da cafeína.

Mas em adultos, especialmente a partir da meia-idade, os resultados são muito mais sólidos. Mesmo em pessoas que já têm diabetes ou problemas cardíacos, o consumo moderado continua a estar associado a melhores resultados.

Então, no fim de contas, quanto?

Para a maioria dos adultos saudáveis, entre 2 e 4 cafés por dia parece ser o ponto ideal, tanto em termos de risco cardiometabólico como de mortalidade. Não beber nada não parece ser a melhor opção. Doses muito altas não trazem benefícios extra óbvios e podem ser desconfortáveis para quem é mais sensível.

Claro que isto não vale para todas as pessoas. Se estás grávida, tens problemas de ansiedade ou de sono, ou certas condições cardíacas, esta conversa é outra. E o café também não é nenhum suplemento mágico. Não substitui dormir bem, comer decentemente e mexer o corpo.

No fundo, o café parece ser uma daquelas raras coisas boas da vida que, quando consumidas com algum juízo, não só não te prejudicam como podem até jogar a teu favor.

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