Vale a pena beber shots de azeite?
Beber um pequeno copo de azeite virgem extra em jejum tem ganho popularidade como forma de potenciar a saúde. A prática, conhecida como olive oil shot, é frequentemente associada a benefícios antioxidantes e cardiovasculares. Mas existe ciência por trás disto?
A resposta é sim.
O que torna o azeite especial?
O azeite virgem extra distingue-se da maioria dos outros óleos vegetais pela sua riqueza em polifenóis, compostos bioativos como o hidroxitirosol, o tirosol, a oleuropeína e o oleocanthal.
São estes compostos que dão ao azeite o seu sabor mais intenso, ligeiramente amargo, e aquela sensação picante na garganta. Curiosamente, esse ardor é muitas vezes um sinal da presença de níveis mais elevados de polifenóis.
Os polifenóis são realmente absorvidos?
Sim. Uma revisão científica concluiu que os polifenóis do azeite são absorvidos pelo intestino, entram na circulação sanguínea e exercem efeitos biológicos no organismo. Ou seja, não passam simplesmente pelo sistema digestivo sem serem aproveitados.
O que dizem os estudos?
A evidência científica é suficientemente forte para que a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) reconheça oficialmente que os polifenóis do azeite ajudam a proteger os lípidos sanguíneos contra o stress oxidativo.
Além disso, ensaios clínicos realizados em humanos mostram que o consumo de azeite rico em polifenóis pode melhorar o estado antioxidante do organismo e contribuir para uma melhor saúde cardiovascular.
Um estudo verificou melhorias significativas nos marcadores antioxidantes após apenas algumas semanas de consumo. Outro observou uma redução do LDL e da sua aterogenicidade, ou seja, uma menor tendência para contribuir para a formação de placas nas artérias.
O azeite ajuda a combater a inflamação?
Um dos compostos mais estudados do azeite é o oleocanthal, responsável pela sensação de ardor na garganta.
A investigação sugere que este composto possui propriedades anti-inflamatórias interessantes e atua através de mecanismos semelhantes aos de alguns medicamentos anti-inflamatórios, embora com uma intensidade muito inferior.
Estudos mais recentes apontam ainda para possíveis efeitos protetores no fígado, mas esta área continua a ser investigada.
Nem todos os azeites são iguais
O teor de polifenóis varia bastante entre azeites.
Fatores como a variedade da azeitona, a região de produção, o momento da colheita e as condições de armazenamento influenciam diretamente a quantidade destes compostos.
De forma geral, azeitonas colhidas mais cedo tendem a originar azeites mais ricos em polifenóis.
Mais polifenóis significa sempre mais benefícios?
Não necessariamente.
É comum encontrar azeites promovidos pelos seus teores extremamente elevados de polifenóis. No entanto, embora a ciência mostre claramente que estes compostos são benéficos, ainda não existe evidência suficiente para afirmar que um azeite com 1800 ou 2000 mg/kg de polifenóis seja muito superior a outro com valores mais moderados.
A maioria dos estudos clínicos realizados até hoje utilizou azeites com concentrações bastante inferiores às promovidas por algumas marcas especializadas.
Então vale a pena fazer shots de azeite?
A ciência apoia claramente o consumo regular de azeite virgem extra rico em polifenóis.
O que ainda não foi demonstrado é que beber um shot de azeite todas as manhãs seja superior a consumi-lo regularmente nas refeições.
O mais importante continua a ser simples: escolher um bom azeite virgem extra, utilizá-lo com regularidade e integrá-lo numa alimentação equilibrada.
Fontes:
Bioavailability and antioxidant effects of olive oil phenols in humans: a review
The Extra Virgin Olive Oil Polyphenol Oleocanthal Exerts Antifibrotic Effects in the Liver
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