Glifosato: o Herbicida Mais Utilizado na Agricultura

O glifosato está em todo o lado. Desde os anos 70 que é o herbicida mais utilizado na agricultura global e hoje pode ser encontrado no ambiente, em alguns alimentos e até em amostras biológicas humanas como a urina.

A pergunta que muitos cientistas tentam responder é simples: o que significa esta exposição para a nossa saúde?

Como funciona e porque parecia seguro

O glifosatoelimina ervas daninhas bloqueando uma via metabólica chamada via do shikimato. Esta via não existe nas células humanas, o que levou durante décadas à ideia de que este herbicida teria baixa toxicidade para nós.

Contudo, investigações mais recentes começaram a explorar efeitos indiretos que não foram considerados nas primeiras avaliações toxicológicas.

O que os estudos mais recentes revelam

Um estudo recente que analisou dados de milhares de adultos norte-americanos encontrou uma associação entre níveis mais elevados de glifosato na urina e um maior risco de mortalidade por todas as causas.

Parte desta relação parece estar ligada à fragilidade física. A fragilidade é um estado clínico caracterizado por menor força, menor resistência e maior vulnerabilidade a doenças, sendo frequentemente associada ao envelhecimento.

Outros investigadores procuraram compreender que mecanismos biológicos podem estar por trás desta associação e identificaram dois processos celulares relevantes.

  • O primeiro é o stress oxidativo, um fenómeno em que moléculas reativas danificam proteínas, gorduras e DNA.

  • O segundo é a disfunção mitocondrial. As mitocôndrias são responsáveis pela produção de energia nas células e, quando deixam de funcionar corretamente, vários sistemas do organismo podem ser afetados.

Estes dois processos estão frequentemente ligados ao envelhecimento biológico e ao desenvolvimento de doenças crónicas como diabetes, doenças cardiovasculares e doenças neurodegenerativas.

Sistema nervoso, rins e cancro

Algumas revisões científicas encontraram sinais de possível ligação entre a exposição ao glifosato e alterações neurológicas, incluindo associações com doença de Parkinson. No entanto, a evidência em humanos ainda é limitada e os resultados entre estudos são inconsistentes.

Estudos de toxicologia molecular identificaram também interações entre o glifosato e proteínas envolvidas em processos de lesão renal e desenvolvimento de cancro. Estes resultados sugerem mecanismos biológicos plausíveis, embora ainda não provem efeitos diretos em humanos.

O que sabemos e o que ainda não sabemos

A maioria dos estudos disponíveis mostra associações, mas não consegue demonstrar causalidade direta.

Os níveis de exposição variam entre populações e alguns estudos utilizam doses superiores às encontradas no ambiente ou na alimentação. Por essa razão, diferentes agências regulatórias chegaram a conclusões distintas sobre o risco real do glifosato.

O que parece mais consistente na literatura científica é a capacidade deste herbicida para induzir stress oxidativo e interferir com o funcionamento das mitocôndrias.

Os efeitos no sistema nervoso são biologicamente plausíveis, mas ainda necessitam de confirmação em estudos humanos de longo prazo.

Uma questão ainda em aberto

Sendo o herbicida mais utilizado no planeta, mesmo dúvidas moderadas sobre os seus efeitos podem ter implicações importantes para a saúde pública.

A investigação continua e muitas das respostas ainda estão por chegar.

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